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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

CURIOSIDADE


Conheça o CAPÍTULO X de Documentos Médicos do Código de Ética Médica:




É vedado ao médico:

Art. 80. Expedir documento médico sem ter praticado ato profissional que o justifique, que seja tendencioso ou que não corresponda à verdade. 
Art. 81. Atestar como forma de obter vantagens. 
Art. 82. Usar formulários de instituições públicas para prescrever ou atestar fatos verificados na clínica privada.
Art. 83. Atestar óbito quando não o tenha verificado pessoalmente, ou quando não tenha prestado assistência ao paciente, salvo, no último caso, se o fizer como plantonista, médico substituto ou em caso de necropsia e verificação médico-legal.
Art. 84. Deixar de atestar óbito de paciente ao qual vinha prestando assistência, exceto quando houver indícios de morte violenta.
Art. 85. Permitir o manuseio e o conhecimento dos prontuários por pessoas não obrigadas ao sigilo profissional quando sob sua responsabilidade.
Art. 86. Deixar de fornecer laudo médico ao paciente ou a seu representante legal quando aquele for encaminhado ou transferido para continuação do tratamento ou em caso de solicitação de alta.
Art. 87. Deixar de elaborar prontuário legível para cada paciente.

§ 1º O prontuário deve conter os dados clínicos necessários para a boa condução do caso, sendo preenchido, em cada avaliação, em ordem cronológica com data, hora, assinatura e número de registro do médico no Conselho Regional de Medicina.
§ 2º O prontuário estará sob a guarda do médico ou da instituição que assiste o paciente.

Art. 88. Negar, ao paciente, acesso a seu prontuário, deixar de lhe fornecer cópia quando solicitada, bem como deixar de lhe dar explicações necessárias à sua compreensão, salvo quando ocasionarem riscos ao próprio paciente ou a terceiros.
Art. 89. Liberar cópias do prontuário sob sua guarda, salvo quando autorizado, por escrito, pelo paciente, para atender ordem judicial ou para a sua própria defesa.

§ 1º Quando requisitado judicialmente o prontuário será disponibilizado ao perito médico nomeado pelo juiz.
§ 2º Quando o prontuário for apresentado em sua própria defesa, o médico deverá solicitar que seja observado o sigilo profissional.

Art. 90. Deixar de fornecer cópia do prontuário médico de seu paciente quando de sua requisição pelos Conselhos Regionais de Medicina.
Art. 91. Deixar de atestar atos executados no exercício profissional, quando solicitado pelo paciente ou por seu representante legal.

Referência:

http://www.portalmedico.org.br/novocodigo/integra_13.asp

CASO CLÍNICO - SEMIOLOGIA II


Anamnese:

Identificação: JS; 52 anos; Masculino; Caucasiano; Católico; administrador; casado; natural de Curitiba-PR; reside em Bigorrilho – Curitiba; Referência: o próprio paciente.

Queixa Principal: “Peso nas pernas”.

História da Moléstia Atual: Paciente refere ter iniciado há dois dias com paresia simétrica em membro inferior acompanhada de parestesia, dor muscular do tipo queimação e tontura quando se levanta da cama. A paresia iniciou nas pernas, mas agora diz que sente dificuldade em sorrir e segurar objetos.  Nega febre, náusea, vômito, emagrecimento, cefaléia, incontinência de esfincteres ou outros sintomas associados.   Refere que há duas semanas apresentou infecção de via aérea superior. Não realizou viagens recentemente.

História Mórbida Pregressa: Nega doenças da infância, comorbidades atuais, cirurgias/internamentos anteriores, alergias e uso de medicamentos regularmente.

História Mórbida Familiar: mãe com hipotireoidismo e irmã com artrite reumatóide.

Condições e Hábitos de Vida: Reside em casa de alvenaria, com luz, esgoto e água encanada, sem animais peridomiciliares. Possui alimentação com horário regular e balanceada. Nega tabagismo e etilismo.

Perfil Psicosocial: Mora com a esposa. Costuma praticar natação, mas interrompeu as atividades desde que perdeu a força nas pernas. Está preocupado em não conseguir mais andar.

Revisão de Sistemas: Não há outras queixas.

Exame físico:

Geral: paciente em mau estado geral (MEG), corado, hidratado, anictérico, LOTE. Glasgow: 15. Pupilas iso/foto.
PA: 130X90 (deitado)/110x70 (em pé); Pulso: 120; FR: 16; T: 36,2ºC.
Cabeça e pescoço: mucosas úmidas e coradas. Sem linfonodomegalia. Jugulares não ingurgitadas.
Aparelho respiratório: respiração regular, mv + bilateralmente, som claro atimpânico a percussão, expansibilidade e FTV normais. Sem ruidos adventícios.
Aparelho cardiovascular: taquicárdico, bulhas cardíacas rítmicas e normofonéticas, sem sopros.
Abdome: plano, RHA presentes, flácido, timpânico a percussão, indolor a palpação, ausência de massas palpáveis. Hepatimetria normal.
Membros: sem edema, pulsos presentes, perfusão normal.
Pele: ausência de exantema ou lesões petequiais.
Neurológico: alteração de VII par craniano. Sem sinais de irritação meningea. Redução da sensibilidade vibratória e cinético-postural. Sensibilidade tatil-dolorosa preservada. Força muscular grau 3 em ambos os membros inferiores e grau 4 em membros superiores. Coordenação e  equilíbrio preservados. Reflexos tendinosos profundos bicipital e tricipital com hiporreflexia (+), patelar e aquileu com arreflexia.

Exames complementares:

Hemograma: sem alterações.
Eletrólitos: normais.
Análise do Liquido cerebroespinhal:
         Elevação do nível de proteína (500mg/dL)
         Contagem de células <10 MMN/mm3
Eletrodiagnóstico:
         Bloqueio de condução
        

Perguntas:

  1.   Quais são os diagnósticos diferenciais e a principal hipóstese diagnóstica diante deste quadro clínico? Justifique.

     2.   Qual o prognóstico desta doença?

   Respostas:

  1.   Diante de uma paralisia rapidamente progressiva, com arreflexia, ausência de febre ou outros sintomas sistêmicos, com eventos antecedente típico (infecção há 2 semanas), podemos pensar em Síndrome de Guillain-Barré. Mas devemos lembrar dos seguintes diagnósticos diferenciais:
a.   Mielopatia agudas (dor no dorso prolongada e alteração esfincteriana)
b.   Difteria (disturbios orofaringeos precoces)
c.    Polirradiculite de Lyme (transmitidas por carraptos)
d.   Porfiria (dor abdominal, crises epilépticas, psicose)
e.   Neuropatia vasculítica (VHS alterado)
f.     Poliomielite (febre e meningismo)
g.   Vírus do Nilo ocidental
h.   Polirradiculite por CMV (imunocomprometidos)
i.     Distúrbios de junção neuromuscular (miastenia gravis e botulismo. Perda precoce da reatividade pupilar).
j.     Intoxicações por organofosforados (tálio ou arsenico)
k.    Intoxicação por moluscos paralíticos
l.     Hipofosfatemia grave (rara)

   2.   Aproximadamente 85% dos pacientes com síndrome de Guillain-Barré tem uma recuperação funcional completa dentro de vários meses a 1 ano. Alguns achados de exame como arreflexia podem persistir por mais tempo, bem como sintomas como fadiga. A taxa de mortalidade é <5%. Quando ocorre, geralmente está associada a eventos pulmonares. Alguns fatores contribuem para um pior prognóstico: idade avançada, demora do tratamento, envolvimento axonal motor ou sensorial proximal grave. Em 5 a 10% dos casos pode haver recidivas tardias, evoluindo para uma polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica.

   Diagnóstico: SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ

    A síndrome de Guillains-Barré (SGB) é uma poliradiculopatia aguda de etiologia auto-imune. É mais comum em adultos, homens, entre 50 e 80 anos, pacientes com linfoma, HIV ou LES. 
         Em cerca de 70% dos casos de SGB ocorre de 1 a 3 semanas após processo infeccioso agudo, em geral respiratório ou gastrintestinal. Os eventos são precedidos por infecções por Campylobacter jejuni, citomegalovírus, herpesvírus humano, Epstein-Barr vírus, Mycoplasma pneumoniae.
              Há vários subtipos desta doença, sendo o mais comum a polineuropatia desmielinizante inflamatória aguda (PDIA). Na fisiopatogenia, há uma resposta imunológica aos antígenos de infecções ou presente em vacinas, que se dirigem erroneamente ao tecido nervoso do individuo por mecanismo de semelhança de epitopos. Há um bloqueio da condução nervosa devido a desmielinização e da origem a uma paralisia flácida.
          Manifesta-se como uma paralisia motora arreflexa de evolução rápida com ou sem alteração sensorial. Geralmente tem um padrão ascendente, acometendo primeiramente os membros inferiores. Surge uma paresia em horas ou dias, acompanhada por disestesias e parestesias, acometendo mais pernas do que os braços. Pode haver dor muscular no membro acometido. Há diparesia facial, fraqueza bulbar, dificuldade no manejo de secreções e manutenção da via respiratória (diagnostico diferencial com isquemia de tronco encefálico). Também pode apresentar, nos estágios iniciais, dor no pescoço, nos ombros, dorso ou difusamente na coluna vertebral. Os reflexos tendíneos profundos estão diminuídos ou ausentes e a propriocepção também é alterada. Pode haver envolvimento autônomo e manifestar-se com flutuação da pressão arterial, hipotensão postural e arritmias cardíacas.

    Referências:

   HARRISON, Tinsley Randolph; FAUCI, Anthony S. Harrison manual de medicina. 17. ed. Porto Alegre: AMGH Ed., 2011.


  Dâmia Kuster Kaminski Arida

domingo, 24 de novembro de 2013

CURIOSIDADE:

MAIS DA METADE DA POPULAÇÃO BRASILEIRA ESTÁ ACIMA DO PESO

Atualmente, mais da metade da população brasileira está acima do peso: 51% encontram-se acima do peso e 17,4% são obesos  segundo pesquisa da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2012). Curitiba acompanha a tendência nacional. A frequência de excesso de peso é de 51,6% e de obesidade é 16,3%.

A obesidade está relacionada a fatores genéticos, mas há uma influência significativa do sedentarismo e de padrões alimentares inadequados nos seus índices. A pesquisa também mostra alguns destes padrões:

- Consumo de frutas e hortaliças: apenas 22,7% da população ingerem a porção diária recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de cinco ou mais porções ao dia.
- Consumo de gordura saturada: 31,5% comem carne gordurosa e 53,8% consomem leite integral regularmente.
- Refrigerantes: 26% dos brasileiros tomam esse tipo de bebida ao menos cinco vezes por semana. 



Referências:

http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/noticia/12962/162/curitiba-tem-516-da-populacao-com-excesso-de-peso.html
http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/noticia/13145/893/mais-da-metade-da-populacao-brasileira-tem-excesso-de-peso.html

CASO CLÍNICO XV - SEMIOLOGIA II

Anamnese:

Identificação: NJ; 18 anos; masculino; caucasiano; evangélico; estudante; natural de Curitiba-PR; reside em Bigorrilho – Curitiba; Referência: o próprio paciente.

Queixa Principal: “Dor de cabeça e mal estar”.

História da Moléstia Atual: Paciente refere ter iniciado há 3 horas com cefaléia frontal e retroorbitária bilateral, tipo latejante, não irradiada, contínua, sem medidas de alívio, com fotofobia, prostração, calafrios, febre (39ºC), náusea e um episódio de vômito associado (sem sangue ou muco). Nega traumatismos cranianos recentes. Refere que há uma semana vinha apresentando um quadro de sinusite aguda, mas não usou os medicamentos que lhe foi orientado. Nega paresias, parestesias ou outros sintomas associados.

História Mórbida Pregressa: Nega doenças da infância, comorbidades atuais, internamentos/cirurgias anteriores, alergias e uso de medicamentos.

História Mórbida Familiar: Refere que o pai possui HAS.

Condições e Hábitos de Vida: Reside em casa de alvenaria, com luz, esgoto e água encanada, sem animais peridomiciliares. Possui alimentação com horário regular. Nega tabagismo e etilismo.

Perfil Psicosocial: Mora com os pais. Pratica atividades físicas regularmente. Possui boa situação financeira.

Revisão de Sistemas: Não há outras queixas.

Exame físico:

Geral: paciente em mau estado geral (MEG), corado, hidratado, anictérico, confusão mental. Glasgow: 14. Pupilas dilatadas e pouco reativas.
PA: 140X90; Pulso: 56; FR: 16; T: 38,8ºC.
Cabeça e pescoço: mucosas úmidas e coradas. Sem linfonodomegalia. Jugulares não ingurgitadas.
Aparelho respiratório: respiração irregular, mv + bilateralmente, som claro atimpânico a percussão, expansibilidade e FTV normais. Sem ruidos adventícios.
Aparelho cardiovascular: bulhas cardíacas rítmicas e normofonéticas, sem sopros.
Abdome: plano, RHA presentes, flácido, timpânico a percussão, indolor a palpação, ausência de massas palpáveis. Hepatimetria normal.
Membros: sem edema, pulsos presentes, perfusão normal.
Pele: ausência de exantema ou lesões petequiais.

Neurológico: alteração de VI par craniano. Sinais de irritação meningea (rigidez da nuca, Sinal de Kernig e Brudzinski positivos) e papiledema no exame de fundo de olho. Sensibilidade, motricidade, coordenação, equilíbrio e reflexos preservados. 
Perguntas:

     1.   Quais os diagnósticos diferenciais diantes deste quadro clínico?
     2.   Quais exames podem ajudar no diagnóstico?

   Respostas:
  
    1.   Diagnósticos diferenciais:
a.   Meningite bacteriana (febre, cefaléia, rigidez de nuca, náusea, vômito, prostação, mal estar, fotofobia).
b.   Meningoencefalite viral (cefaléia, febre alta, alteração de consciência, déficit neurológico focal, crises epiléticas. Achados liquóricos: pleocitose linfocitária e glicose normal)
c.    Riquetsiose, transmitida pela picada de carrapato (febre alta, prostação, mialgia, cefaléia, náusea, vômito, exantema. Deve-se realizar imunofluorescência da biópsia cutânea).
d.   Erliquioses, também pela picada do carrapato (cefaléia, náusea, vômito, febre, exantema, pancitopenia, aumento de fostatase alcalina, desidrogenase lactica e aminotransferases)
e.   Empiema subdural e extradural, abscesso cerebral (sinais neurológicos focais - ex: disfasia, hemiparesia. Fazer RNM)
f.     Hemorragia subaracnóidea (HSA)
g.   Meningite química por extravasamento de um tumor para o LCS (ex: glioma cístico).
h.   Meningite induzida por fármacos
i.     Meningite carcinomatosa  ou linfomatosa
j.     Meningite associada a distúrbios inflamatórios (sarcoidose, LES, S. Behçet)
    2.   Exames complementares:
a.   Quando há suspeita de meningite bacteriana, deve-se imediatamente obter hemoculturas (são positivas em >80% dos pacientes).
b.   O diagnóstico é definido pelo exame do LCS (leucocitose PMN >100 células/µL em 90%, redução de glicose <40mg/dL, razão LCS/soro de glicose < 0,4 em 60%, aumento da concentração de proteína >45mg/dL, aumento da pressão de abertura >180 mm H2O em 90%).
c.    Nos casos de pacientes imunossuprimidos, com história de traumatismo craniano recente, consciência rebaixada, evidências de hipertensão intracraniana ou déficit neurológico focal, deve-se realizar um exame de neuroimagem antes de realizar a punção (tomografia computadorizada ou ressonância magnética).
d.   PCR para bactérias no LCS é útil nos casos de pacientes que já foram tratados com antibióticos previamente, e nos quais sejam negativas a coloração de Gram e cultura do LCS.
e.   Bíopsia cutânea quando houver lesões petequiais.

     Diagnóstico: Meningite Bacteriana Aguda
    
        A meningite bacteriana é uma infecção purulenta no espaço subaracnóideo. Os agentes etiológicos mais frequentes são Streptoccus pneumoniae (50%), Neisseria meningitidis (25%), estreptococos do grupo B (15%) e Listeria monocytogenes (10%), Haemophilus influenzae tipo b (<10%).

        Algumas condições predispõe a meningite pneumocócica (tipo mais comum): pneumonia pneumocócica, sinusite ou otite média pneumocócica aguda ou crônica, alcoolismo, diabetes, esplenectomia, hipogamaglobulinemia, deficiência de complemento, traumatismo craniano com fratura de base de crânio e rinorréia do Líquido ceerebroespinhal (LCS).

       Muitas das manifestações neurológicas e das complicações das meningites bacterianas resultam da resposta imune ao patógeno invasor e não da lesão tecidual direta. Clinicamente, sinais e sintomas de um processo infeccioso estão presentes (febre, mal-estar, prostração, fotofobia), juntamente com os de irritação meníngea (rigidez da nuca, sinais de Kernig e Brudzinski). Quando há hipertensão intracraniana, cefaléia, vômitos, papiledema, pupilas dilatadas e pouco reativas, paralisia do VI par craniano, postura de descerebração e presença do reflexo de Cushing (bradicardia, hipertensão arterial, respiração irregular) podem estar presentes. Pode evoluir com herniação cerebral em 1 a 8% dos casos. Pode apresentar-se com a tríade clássica: FEBRE, CEFALÉIA, RIGIDEZ DE NUCA.

       Em mais de 75% dos casos, há diminuição dos níveis de consciência. Em 20 a 40% dos pacientes, podem ocorrer crises epiléticas como apresentação inicial ou na evolução. Quando a etiologia é meningocócica, pode haver erupções maculopapulares eritematosas difusas semelhantes a um exantema viral. Tornam-se petequiais em seguida (tronco, membros inferiores, mucosas, conjuntivas, palma das mãos e planta dos pés).

    Referências:

    HARRISON, Tinsley Randolph; FAUCI, Anthony S. Harrison manual de medicina. 17. ed. Porto Alegre: AMGH Ed., 2011.
    PORTO, Celmo Celeno; PORTO, Arnaldo Lemos. Semiologia médica. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.


     Dâmia Kuster Kamisnki Arida

domingo, 17 de novembro de 2013

CURIOSIDADE:


VOCÊ SABE A DIFERENÇA ENTRE ANOREXIA NERVOSA E BULIMIA?


Referências:

BATES, Barbara; BICKLEY, Lynn S.; SZILAGYI, Peter G. Bates: propedêutica médica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, c2005.

CASO CLÍNICO XIV - SEMIOLOGIA II


Anamnese:

Identificação: SKA; 48 anos; feminina; caucasiano; católica; pedagoga; casada; natural de Curitiba-PR; reside em Bigorrilho – Curitiba; Referência: a própria paciente.

Queixa Principal: “Tontura”.

História da Moléstia Atual: Paciente refere ter iniciado há 4 meses com episódios de vertigem (sente que tudo ao redor está rodando), com duração de 2 horas em média, associados a zumbidos, hipoacusia e plenitude auricular predominantemente no ouvido esquerdo. Os episódios ocorrem cerca de 3 vezes no mês e, em alguns casos, são associados por náusea e sudorese. Refere que as crises são piores quando está passando por períodos de estresse. Nega cefaléia, alteração visual, otalgia,

História Mórbida Pregressa: Nega doenças da infância. Como comorbidade atual refere fibromialgia, depressão, gastrite e enxaqueca. Nega cirurgias/internamentos anteriores e alergias. Em uso de sertralina 50mg, esomeprazol magnésico 40mg, amtriptilina 12,5mg e atenolol 50mg.

História Mórbida Familiar: mãe teve câncer de mama aos 55 anos e pai teve AVC aos 70 anos.

Condições e Hábitos de Vida: Reside em casa de alvenaria, com luz, esgoto e água encanada, sem animais peridomiciliares. Possui alimentação balanceada e com horário regular. Tabagista há 30 anos (3 cigarros/dia), nega etilismo.

Perfil Psicosocial: Mora com o marido e com as filhas. Pratica exercícios físico 3 vezes na semana. Está preocupada que a tontura seja algo grave.

Revisão de Sistemas: Não há outras queixas.

Exame físico:

Geral: paciente em bom estado geral (BEG), corado, hidratado, anictérico, LOTE.
PA: 110X70; Pulso: 72; FR: 16; T: 36,2ºC.
Cabeça e pescoço: mucosas úmidas e coradas. Sem linfonodomegalia. Jugulares não ingurgitadas.
Aparelho respiratório: eupnéica, mv + bilateralmente, som claro atimpânico a percussão, expansibilidade e FTV normais. Sem ruidos adventícios.
Aparelho cardiovascular: bulhas cardíacas rítmicas e normofonéticas, sem sopros.
Abdome: plano, RHA presentes, flácido, timpânico a percussão, indolor a palpação, ausência de massas palpáveis. Hepatimetria normal.
Membros: sem edema, pulsos presentes, perfusão normal.
Neurológico: nervos cranianos sem alterações. Sensibilidade, motricidade, coordenação, equilíbrio e reflexos preservados. Manobra de Dix-Hallpike: Nistágmo horizontal, na fase rápida afastou-se do lado da lesão, presença de fatigabilidade, latência de 15 segundos, duração de 30 segundos.

Exame complementar:

Audiometria: perda auditiva assimétrica e de baixa frequência

Perguntas:

     1.   Este quadro clínico sugere uma vertigem de origem central ou periférica?

     2.   Qual a principal hipótese diagnóstica?

   Respostas:

     1.   Este quadro clínico sugere uma vertigem periférica, pois não há alterações que apontem para um acomentimento central (diplopia, perda de sensibilidade, paresias, disfagia, dislalia, confusão, perda da consciência, incoordenação, entre outros). Além disso, podemos observar através da Manobra de Dix-Hallpike um acometimento periférico sugerido pelo nistágmo horizontal, afastando-se do lado da lesão na fase rápida, com presença de fatigabilidade, latência de 15 segundos e duração de 30 segundos.

   2.   A principal hipótese diagnóstica é Doença de Ménière, visto que é uma mulher, de 48 anos, apresentando a tríade sugestiva: vertigem, zumbido e hipoacusia, associada a plenitude auricular.

    Diagnóstico: DOENÇA DE MÉNIÈRE

           Doença de Ménière ou Hidropsia endolinfática é causada por excesso de líquido no ouvido interno (endolinfa), gerando uma crise hipertensiva endolinfática. Geralmente é unilateral (85-90%), entre 30 e 50 anos e em mulheres. A causa é de origem desconhecida. Sabe-se que estresse contribui negativamente com o quadro.

     A crise é caracterizada por vertigem, zumbido, hipoacusia neurosensorial. Também pode ocorrer dor e sensação de plenitude na auricular (sente o ouvido “cheio”). A perda auditiva e aura são essenciais na diferenciação com outras vestibulopatias periféricas. Em situações mais intensas, sintomas vagais como náusea, vômito, sudorese e palidez podem estar presentes.

      Na audiometria, pode-se observar perda auditiva assimétrica e de baixa frequência durante a crise. Esta doença evolui em “surtos intermitentes” em que há melhora dos sintomas entre as crises, mas pode levar a uma perda permanente.

   Referências:

  HARRISON, Tinsley Randolph; FAUCI, Anthony S. Harrison manual de medicina. 17. ed. Porto Alegre: AMGH Ed., 2011.
  PORTO, Celmo Celeno; PORTO, Arnaldo Lemos. Semiologia médica. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.
 PAVAN, José Geraldo. Doença de Ménière. Campanha de Saúde Auditiva da Sociedade Brasileira de Otologia.

    Dâmia Kuster Kaminski Arida

domingo, 10 de novembro de 2013

CURIOSIDADE:

ANAMNESE: UMA ATIVIDADE DE INTERPRETAÇÃO





A anamnese, história clínica do paciente obtida pelo médico por meio de entrevista, é uma atividade de “retirar da oralidade o registro e a memória do vivido” (YUNES, 2002). Esta questão da interpretação da oralidade é retratada em uma poesia de Cecília Meireles:
Nunca eu tivera querido
Dizer palavra tão louca:
Bateu-me o vento na boca,
E depois no teu ouvido.

Levou somente a palavra,
Deixou ficar o sentido.

 O sentido está guardado
 no rosto com que te miro,
 neste perdido suspiro
 que te segue alucinado,
 no meu sorriso suspenso
 como um beijo malogrado.(...)

Referências:

A escuta médica, PUCRJ. Certificação digital 0510601/CB.
 YUNES, Eliana. Leitura, a complexidade do simples: do mundo à letra e de volta ao mundo.
In: Pensar a Leitura: Complexidade. Org. Eliana Yunes. Rio de Janeiro. Ed. PUC-RIO; São Paulo:
Loyola, 2002.
MEIRELES, Cecília, 1901-1964. Viagem e Vaga música. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.

CASO CLÍNICO XIII - SEMIOLOGIA II

Anamnese:
Identificação: MAK; 52 anos; feminino; caucasiana; católica; professora; casada; natural de Curitiba-PR; reside em Bigorrilho – Curitiba; Referência: a própria paciente.

Queixa Principal: “Desmaio”.

História da Moléstia Atual: Paciente refere ter tido um espisódio de síncope há 4 horas. Refere que acordou para urinar durante a noite e durante a micção sentiu-se tonta, sua visão ficou escura e subitamente perdeu a consicência e tônus postural. Houve recuperação espontânea do quadro em 30 segundos e permaneceu confusa por mais 20 a 30 segundos. Nega náusea, sudorese, febre, cefaléia ou outros sintomas associados. Seu acompanhante refere que durante o episódio não apresentou abalos musculares, nem outras manifestações. Refere que já apresentou quadro semelhante anos atrás.

História Mórbida Pregressa: Nega doenças da infância. Como comorbidade atual refere fibromialgia, depressão, gastrite e enxaqueca. Nega cirurgias/internamentos anteriores e alergias. Em uso de sertralina 50mg, esomeprazol magnésico 40mg, amtriptilina 12,5mg e atenolol 50mg.

História Mórbida Familiar: mãe teve câncer de mama aos 55 anos e pai teve AVC aos 70 anos.

Condições e Hábitos de Vida: Reside em casa de alvenaria, com luz, esgoto e água encanada, sem animais peridomiciliares. Possui alimentação balanceada e com horário regular. Tabagista há 30 anos (3 cigarros/dia), nega etilismo.

Perfil Psicosocial: Mora com o marido e com as filhas. Pratica exercícios físico 3 vezes na semana. Está preocupada que a síncope seja devido a algum processo maligno no cérebro.

Revisão de Sistemas: Não há outras queixas.

Exame físico:

Geral: paciente em bom estado geral (REG), corado, hidratado, anictérico, LOTE.
PA: 120X80 (deitada)/120X80 (em pé); Pulso: 82; FR: 16; T: 36,1ºC.
Cabeça e pescoço: mucosas úmidas e coradas. Sem linfonodomegalia. Jugulares não ingurgitadas.
Aparelho respiratório: eupnéica, mv + bilateralmente, som claro atimpânico a percussão, expansibilidade e FTV normais. Sem ruidos adventícios.
Aparelho cardiovascular: bulhas cardíacas rítmicas e normofonéticas, sem sopros.
Abdome: plano, RHA presentes, flácido, timpânico a percussão, indolor a palpação, ausência de massas palpáveis. Hepatimetria normal.
Membros: sem edema, pulsos presentes, perfusão normal.
Neurológico: nervos cranianos sem alterações. Sensibiliade, motricidade, coordenação, equilíbrio e reflexos preservados.

Exames complementares:

Eletrocardiograma: sem alterações.

Pergunta:


·        A paciente está preocupada, pois pensa que a síncope é devido a algum processo maligno no cérebro. Podemos tranquilizá-la?

    Resposta:

·        Sim. Podemos tranquilizá-la. Este é um quadro característico de SINCOPE REFLEXA SITUACIONAL desencadeada pela MICÇÃO. Este tipo de síncope, mediada neuralmente, é desencadeada por estímulos específicos localizados que provocam uma vasodilatação reflexa e bradicardia. Confira outros estímulos que também podem desencadear este tipo de síncope:

o   Pulmonar
    - Tosse
    - Levantamento de peso
    - Espirro
o   Urogenital
    - Pós-miccional
    - Massagem prostática
    - instrumentação do trato urinário
o   Gastrintestinal
    - Deglutição
    - Neuralgia glossofaríngea
    - Estimulação esofágica
    - Exame retal
    - Pós-defecação
    - Instrumentação de TGI
o   Seio carotídeo
    - Massagem ou sensibilidade seio carotídeo
o   Ocular
    - Pressão ocular
    - Exame ocular
    - Cirurgia ocular
     
     Referências:
    HARRISON, Tinsley Randolph; FAUCI, Anthony S. Harrison manual de medicina. 17. ed. Porto Alegre: AMGH Ed., 2011.
   ROCHA, Eduardo Arrais. Síndromes neuralmente mediadas. Arq. Bras. Cardiol.,  São Paulo ,  v. 87, n. 3, Sept.  2006 .   

    Dâmia Kuster Kaminski Arida